Pacto Ecológico Europeu de 2019 e a Neutralidade Climática - Marta Triguinho, 65030


Pacto Ecológico Europeu de 2019 e a Neutralidade Climática

Alterações climáticas: Acordo de Paris (Aquecimento global); O pacto ecológico europeu de 2019; Neutralidade climática - 2050

 

1.     Alterações climáticas: Acordo de Paris

As alterações climáticas são variações no clima que perduram  durante várias décadas ou períodos de tempo nos padrões climáticos globais. Pode advir de causas naturais, forças externas ou de atividades humanas. Estas alterações climáticas podem levar a aquecimento global, mudança na precipitação, aumento do nível do mar, impacto na biodiversidade.

É crucial tomar medidas de forma a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, transitando para uma economia mais sustentável e resiliente, a nível global, nacional e local.

Entrou em vigor, no dia 4 de novembro de 2016, o Acordo de Paris. Este é um tratado internacional adotado em 2015, durante uma reunião das partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (“COP21”), pela União Europeia, no qual a comunidade internacional procurou responder à necessidade de colocar um travão ao aumento da temperatura média global resolvendo os desafios das alterações climáticas. Este acordo “…visa alcançar a descarbonização das economias mundiais…”[1]. Surge no contexto da “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. Este Acordo foi assinado pela União Europeia e todos os seus Estados-Membros. Os principais pontos do Acordo de Paris são:[2]

·       Manter o aumento da temperatura média mundial abaixo dos 2ºC e empenhar esforços para limitar o aumento a 1,5ºC;

·       Apresentação, pelos países, se planos de ação no domínio das alterações climáticas de modo a reduzirem as suas emissões – estes deveriam ser apresentados em cinco anos;

·       Apresentação de relatórios aos governos e público sobre o desempenho na tentativa de alcance das metas;

·       Prestação de financiamento, ajudando os países mais vulneráveis (artigo 4.º/4 e 5 Acordo de Paris).[3]

 

O Acordo tem por base o principio de equidade entre os países: cada um dos países deverá reduzir as emissões compativelmente com as suas capacidades tendo em conta o diferente desenvolvimento de cada um deles – “…o documento foi ratificado por 55 países, que juntos representam pelo menos 55% das emissões globais.”[4] e todos estes deveram adotar mecanismos que resultem no esforço para combater as mudanças climáticas.

Para que as metas especificadas no acordo de paris sejam atingidas, os países deverão demonstrar os seus esforços a cada cinco anos – os objetivos dos países são denominados de “contribuições nacionais” e são revistos para o ano (2025).

António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, já afirmou, no entanto, que o progresso do acordo tem sido insuficiente.

 

Aquecimento global

Uma das principais consequências das alterações climáticas é o aquecimento global. O aquecimento global dá-se quando a temperatura média da superfície da terra aumenta consistentemente devido às concentrações de gases de efeito de estufa na atmosfera levando a eventos climáticos extrememos frequentes e intensos (exemplo.: ondas de calor, tempestades, furacões).

 


2.     Pacto ecológico europeu de 2019

Após ter adotado uma resolução para que os países membros da união europeia atingissem a neutralidade das emissões de dióxido de carbono, em dezembro de 2019, foi adotada uma segunda resolução na qual o Parlamento Europeu declara emergência climática na europa.[5]

O pacto ecológico europeu, também conhecido como “Green Deal” da União Europeia, é uma iniciativa lançada em 2019 pela Comissão Europeia com o objetivo de tornar a União Europeia a primeira economia neutra em termos de emissões de carbono até 2050, promovendo uma economia sustentável e resiliente. Para isso estabelece uma meta intermediária de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 55% até 2030, em comparação com os níveis de 1990.

Visa transformar a economia europeia, numa economia limpa e circular, reduzindo as emissões de gases de efeitos de estufa, promovendo o uso eficiente de recursos. Representa um compromisso ambicioso da União Europeia com a sustentabilidade ambiental.

Uma vez que esta transição pode ter impactos económicos e sociais significativos, o Pacto Ecológico Europeu inclui um “Mecanismo para uma Transição Justa”. Este mecanismo garante que esta transição para uma economia com impacto neutro no clima se realize de forma justa, concentrando-se, especialmente, nas regiões, industrias e comunidades mais afetadas – “…propõe formas de apoiar os cidadãos vulneráveis, combatendo as desigualdades e a pobreza energética.”[6]

Todos os Estados-Membros podem beneficiar deste apoio, “…centrado nas regiões com utilização intensiva de emissões carbónicas ou onde existem mais trabalhadores no setor dos combustíveis fosseis.”[7] Estamos, então, parente um instrumento financeiro que apoia o Pacto Ecológico Europeu: disponibiliza até 100 bilhões de euros para apoios.

Na área da energia, o Pacto Ecológico Europeu pretende a descarbonização, aumentando a participação de energias renováveis e a integração do mercado de energia com a criação de um mercado interno mais integrado e eficiente. Quanto à indústria, pretende uma economia circular, promovendo a reutilização, reciclagem e conceção de produtos sustentáveis, e modernizar as industrias europeias. No que diz respeito à mobilidade, pretendia aumentar o uso de veículos elétricos, melhorar as infraestruturas e promover o transporte urbano sustentável. Pretendia, ainda, um plano de ação para poluição zero, com vista a reduzir a poluição do ar, água e solo de forma a melhorar a saúde pública e qualidade de vida.

Foi necessário a implementação de novas leis como a Lei Europeia do Clima que nos diz:

Article 2

Climate-neutrality objective

Union-wide greenhouse gas emissions and removals regulated in Union law shall be balanced within the Union at the latest by 2050, thus reducing emissions to net zero by that date, and the Union shall aim to achieve negative emissions thereafter.”[8]

 

Algumas das medidas adotadas pelo pacto ecológico europeu: tornar os transportes sustentáveis, despoluição do sistema energético, renovação de edifícios (mais ecológicos), impulsionar a ação climática a nível mundial. Foca-se maioritariamente na agricultura, mares e oceanos (proteção da biodiversidade), energia, industria, transportes.

 

“A transição para a neutralidade climática trará oportunidades significativas, tais como potencialidades em termos de crescimento económico, de novos modelos de negócio e de novos mercados, de novos empregos e de desenvolvimento tecnológico.” – Conclusões do Conselho Europeu, 12 de dezembro de 2019 [9]

 

No ano de 2021, foram aprovadas estratégias para a adaptação da União Europeia às alterações climáticas de forma a ajudar esta a tornar-se numa sociedade adaptada aos danos das alterações climáticas.

 

 

O Pacto Ecológico Europeu representa uma mudança na abordagem da União Europeia em relação às questões ambientais e climáticas estabelecendo, não só, uma visão ambiciosa para um futuro sustentável, como também criando um amplo quadro de políticas e investimentos como ajuda a essa transição. Para que a sua implementação seja bem sucedida, deverá haver um esforço conjunto entre governos, indústria e sociedade de forma a alcançar um futuro mais verde e sustentável para a Europa.

 

3.     Neutralidade carbónica 2050 – Portugal

O roteiro para alcançar esta neutralidade foi publicado através da Resolução de Conselho de Ministros n.º 107/2019, de 1 de julho. Estabelece a trajetória para que Portugal se torne num país neutro até o ano de 2050. No número 3 desta resolução, encontramos os principais vetores de descarbonização e linhas de atuação para que a sociedade se torne neutra em carbono.

 

 

 

 

 

 


 

4.     Conclusão

O Pacto Ecológico Europeu de 2019 foi fundamental na trajetória da União Europeia em direção a um futuro mais sustentável. Este acordo visa transformar a Europa no primeiro continente a atingir a neutralidade climática até 2050.

Dos seus principais objetivos, destacam-se:

  •  A redução das emissões de gases de efeito estufa;
  • A promoção de uma economia circular;
  • A preservação da biodiversidade;
  • E a implementação de sistemas de energia limpa e eficiente.

O sucesso do Pacto Ecológico Europeu depende de colaboração entre os estados-membros, as instituições da União Europeia, empresas, organizações da sociedade e os cidadãos. A transição ecológica exigirá esforços consideráveis em termos de inovação, adaptação tecnológica e mudança de comportamento.

O Pacto Ecológico Europeu coloca a União Europeia na vanguarda das ações climáticas globais, sendo mais do que uma resposta às crescentes ameaças ambientais – visão abrangente para um futuro sustentável e próspero.

 

Tanto o Acordo de Paris como o Pacto Ecológico Europeu visam a redução das emissões de gases de efeito de estufa promovendo a sustentabilidade. Posto isto, o Pacto Ecológico Europeu é uma contribuição da União Europeia para cumprir e superar os compromissos do Acordo de Paris.

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia

https://apambiente.pt/clima/acordo-de-paris

https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/climate-change/paris-agreement/#what

https://www.portugal.gov.pt/download-ficheiros/ficheiro.aspx?v=%3d%3dBQAAAB%2bLCAAAAAAABAAzNLA0tgQAra2cKgUAAAA%3d , página 18

https://www.iberdrola.com/sustentabilidade/transicao-energetica/acordo-paris

https://www.europarl.europa.eu/topics/pt/article/20191115STO66603/ue-e-acordo-de-paris-a-caminho-da-neutralidade-carbonica

https://ec.europa.eu/commission/presscorner/api/files/attachment/869826/EGD_brochure_PT.pdf.pdf, página 8

https://commission.europa.eu/strategy-and-policy/priorities-2019-2024/european-green-deal/finance-and-green-deal/just-transition-mechanism_pt

https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=CELEX:32021R1119 , artigo 2.º

https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/green-deal/



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